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As definições de arrependimento foram atualizadas quando eu estava deitado ao lado do Rodrigo, no sofá-cama da casa de uma amiga – que vai pro céu de tanto que já emprestou o apartamento dela pros amigos sem local. A garrafa de vinho ela não emprestou não, mas eu peguei mesmo assim porque já sabia que seria uma noite difícil. Principalmente depois que o Rodrigo disse que odiava vinho. Sério, quem odeia vinho?
Nos conhecemos uma semana antes num open bar maluco, de graça e cheio de gente rica e bonita, o que junto com a penumbra do local provavelmente me sugestionou a achar que ele era apessoado. Encostamos numa coluna e, mão naquilo, aquilo na mão, tive umas das melhores pequenas felicidades do mundo: achei um passivo gato e pauzudo. O resultado dessa combinação junto com os drinks que a gente tinha tomado foi uma das pegações mais hard da minha vida. Era tanto tapa, tanto pula-pirata, que se ele passasse na frente de um McDonald’s virava brinde do McLancheFeliz ali na hora!
Dito isso, vocês devem entender a minha pressa em ficar sozinho logo com o Rodrigo. Mas tudo caiu por terra quando encontrei com ele no metrô pra irmos pro apartamento. Além de alguns problemas de dicção que não percebi por conta do álcool e que me bloxavam muito, ele arrumava demais o cabelo, o que o deixava a cara da Rochelle naquele episódio do penteado Tubarão. Por isso, enquanto ele falava, eu só pensava “puta que pariu, não quero mais!!!”, mesmo sabendo que o nariz era proporcional e que talvez eu fosse feliz dali a pouco.
Chegamos no apartamento e tudo que eu queria era que minha amiga aparecesse do nada e falasse que ía rolar um chá de bebê, chá de cozinha ou até um encontro de revendedoras da Tupperware no apartamento pra eu ter que abortar tudo.
Como não é todo dia que nego se reúne pra comprar uma jarra d’água por R$100, lá estava eu deitado no sofá-cama abraçado na garrafa de vinho da minha amiga e pensando “se eu dormir eu me livro dessa.” Deus sabe que eu tentei, mas o Rodrigo começou a passar a mão em mim deixando claro que se fosse pra dormir ele dormia na casa dele. Pensei “caraio, vamo lá.” Era a primeira vez que eu transava com alguém por obrigação. Me senti um ator pornô sem nem uma CLT que fosse pra me defender. Mas eu quis chamar a Polícia mesmo quando, enquanto eu comia o Rodrigo, comecei a ouvir uns “ai, meu cusinho! Meu cusinho! Meu cusinho!” SEU CU O QUÊ, CARALHO??? E era assim mesmo, com som de SSS. Tipo na língua das serpentes.
O alívio que eu senti ao gozar foi o equivalente ao de achar um banheiro químico ainda não utilizado num bloco de carnaval. Mas só não foi maior que o susto que eu levei ao ouvir a prateleira de vidro caríssima da Tok Stok espatifar no chão enquanto o Mr. Burns tomava banho. O Brasil inteiro transava e tomava banho naquele apartamento (às vezes ao mesmo tempo!) e só o Rodrigo, a diferentona, a desgraçada, a “meu cusinho”, teve que quebrar a porra da prateleira-caríssima-da-Tok-Stok – que eu chamo assim porque obviamente tive que pagar por outra.
Na próxima, melhor gastar com o motel. Ou aprender a dizer não. Doeria menos que um “meu cusinho”.
D.A. – 22 anos

Garrafa de vinho decente – R$ 100,00
Prateleira de vidro caríssima da Tok Stok – R$ 100,00
Ver alguém que tem muita dó do ~cusssinho~ finalmente gozar, colocando um fim num sexo horrível – Não tem preço

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Relaxa, é tipo Linha Direta – tudo no mais absoluto sigilo. 😉

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