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Longe de mim ser competitivo, considerar todo e qualquer desafio extremamente relevante e jamais pensar na hipótese de derrota. Apenas desconfio que a minha lua seja em Áries e Madonna me ensinou a Don’t Go For The Second Best, Baby!

Há dois anos o ‘mlk 26’ vive há >100 metros de mim no Grindr (dois andares abaixo no mesmo prédio) e nunca nos falamos. Ou seja, há uma rixa! Sinto que qualquer visita ou vizinho novo (raro um que preste) ele já corre para marcar território. A minha reação, caro leitor? Esperar ele mijar em todos os machos? NUNCA! Me posiciono e mostro que também estou nessa competição. De acordo com meus cálculos, nosso placar está 21 a 18 pontos para mim.

No último mês, consegui abrir uma vantagem de três pontos. Eu deveria estar mais tranquilo. Mas o Richard se mudou para o meu prédio – Um Daddy. Nunca tive tesão em caras mais velhos. Também nunca usei a palavra tesão. São coisas que vem com a idade – eu acho.

Esses dias o Richard puxou assunto comigo. Perguntou se eu curtia caras mais velhos e já foi mandando algumas fotos. Posso descrevê-lo como uma versão mais Pedro Bial do Daniel Craig. Corpão, pauzão, peludão, cacurão – rima com tesão.
A título de experimentação e competitividade, resolvi descer. Chegando lá, sentei no seu sofá e antes de perguntar se estava tudo bem, ele já veio me beijando. Continuei a beijar, mas dava algumas pausas esperando ele falar algo. Ele me olhava de cima em baixo e me beijava novamente. Mais uma vez, parei e esperei ele falar alguma palavra é nada. Porra, será que ele é mudo? Finalmente ele disse algo – me chamou de safado. Se minha cara de desconforto remete a uma cara de safado, todos devem me achar um ninfomaníaco. Sorri e continuei a pegada.

Estava ficando muito bom no nível de ‘quero ser passivo, moço’, quando de repente recebo um tapa na minha cara. Sem sobreaviso. Nem pude me preparar para receber. Até desconfiei que ele fosse um homofóbico disfarçado para me espancar. Ele disse “você gosta né?” Eu estava tão assustado, que só me liguei quando veio o segundo tapa. “PORRA, essa é minha cara de medo e não de tesão, seu burro!” – pensei, mas disse que não curtia muito. Mas era tarde demais, já estava com a marca dos cinco dedos na cara. Mas ok. A pegada estava boa, até ele começar a apertar muito minha bunda (a nível de dor de benzetacil) e a estapeá-la muito! Precisava acabar com aquilo.

“Tem camisinha?” – perguntei. Ele me respondeu que curtia sem. “Então, não vai rolar.” – conclui. “Relaxa, eu tomo Truvada.” – ele disse, e eu respondi foda-se. Batemos uma e fomos tomar banho. Além de querer ficar me assistindo tomar banho e querer que o chame de ‘Tio’, o louco disse que havia me adorado e queria que eu voltasse lá mais vezes. Concordei só para ir embora logo. Estava cansado de apanhar.

Durante dois dias, ele ficou enchendo meu saco, me chamando para o apê dele. Me mandando nudes, fotos de brinquedos sado. Até o dia em que ele me chamou no Hornet ás 4h da manhã, dizendo que estava carente. “Ow, Christian Grey aposentado, para isso você toma antidepressivo e não Truvada!” – respondi.

Ok, talvez minha lua seja em Áries. 

*** Ah, ‘mlk 26’, não contarei este ponto.

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