Aquele ditado de que a razão desce para a piriquita (ou pro cu, no meu caso) e o tesão sobe para a cabeça é a pura verdade.

É o que explica você ir pra casa de um cara que você conheceu há menos de três horas em um app, sem medo e sem uma gilete em baixo da língua, apenas tesão acumulado. Neste estado temos uma predisposição a fazer loucuras sem perceber. Ligamos para o ex, saímos com aquele cara gostoso, mas muito mala. E sempre que gozamos é a mesma coisa: arrependimento, humilhação e vergonha alheia.

Preciso muito trabalhar esse meu lado masoquista. Ainda mais eu, que já caí em várias ciladas.

Já fui ao encontro de parrudos de bigode nas fotos e que na real pareciam o Bino do carga pesada.
Já fui ao encontro de barbudos gatos, que no dia estavam sem barba e pareciam lésbicas masculinas.
Já fui ao encontro de homens com carinha de bebê e que, na real, pareciam a Mara Maravilha.
De skatistas, que na verdade eram apenas pobres mesmo – aquilo era só roupa da Fatal não era estilo!

Na foto, Johnny parecia culto e misterioso, mas na minha frente parecia o maníaco do parque. Uma puta cara de foragido do Linha Direta.

Era 1h da manhã e o único ponto de referência próximo àquele prédio sem porteiro onde o Johnny morava, era o metro Santa Cecília. Somente quando vi que havia várias caixas no apê dele (curiosamente, posicionadas em frente a todas as janelas) foi que comecei a me preocupar.

Minha bateria estava em 8% e eu não podia ligar o 3G. Precisava carregar um pouco antes de ir embora. Vi que ele tinha um iPhone e pedi seu carregador emprestado. No momento em que ele abriu a mochila para pegar o carregador, eu vi… Um litro de álcool. Eu tinha certeza de que ele era um homofóbico, que havia alugado o apê só para me matar. Quem anda com um litro de álcool na mochila? Ele era um psicopata que matava as BICHAS do Grindr, certeza. Certeza que era Clorofórmio!!!

Johnny deixou de ser um nome estiloso e tornou-se, obviamente, um nome falso que ele usava para atrair suas vítimas. PUTA QUE PARIU!

Mesmo estando aflito, começamos a nos pegar. Estava esperando meu celular carregar até, pelo menos, 20%. A cada movimento brusco, eu pensava “é agora”. Acabou não rolando penetração, apenas nos masturbamos e, assim que gozei, fui checar o celular. Foi quando ele me abraçou forte e disse: “Calma!!! Sinta o momento!” Apenas obedeci. Feito isto, fui levantar e novamente ele me segurou e disse “SINTA!”. Novamente, obedeci.

Fiquei quietinho, sentindo toda angústia que um ser humano é capaz de sentir. Aquela angústia de não saber o que está errado. O login ou a senha.

Resumindo: Enquanto repassava todos os melhores momentos na minha cabeça, acabei caindo no sono. Acordei sozinho, achando que estava morto. Mas, na verdade, o Johnny havia ido comprar brownie de chocolate para mim. <3

O que deu errado: Não se compra um brownie de chocolate para alguém e depois visualiza e não responde o seu whatsapp. Johnny era incoerente.

Poderia ser pior: Eu poderia estar sem um rim… Será?

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