Controle Y



Fernando, o sensitivo!

Marcia Fernando Ilustração Gif
Acredito que temos fases na vida. Em algumas atraímos pessoas incríveis, em outras não atraímos nada. No meu caso, na maioria delas, atraímos só o que não presta!
Eu não sei em qual delas eu estava quando conheci o Fernando. Sei que, segundo o Happn, cruzamos em Pinheiros e duas semanas depois estávamos na Balsa, um bar no centro. Era um sábado lindo e optamos por um date vespertino (adoro essa palavra). Daqueles que bebemos o dia inteiro e dá pra transar das 22h até de madrugada.
Nos primeiros 10 minutos, um cheiro de peido horrível dominou o ambiente – QUE ERA UM ROOFTOP! Não sei para que lado o vento estava, mas definitivamente não era a meu favor, pois a caatinga durou um tempo ali. Mesmo com nojo de abrir a boca, fingimos que nada aconteceu.
Enquanto ele me contava que era da Umbanda desde criança, senti outra vez o fedor, e ele tinha a mesma essência do anterior – fétida! Não aguentei e falei: “nossa, tem alguém podre aqui hoje”. Ele concordou e disse que tinha achado que era eu!!! Rimos e nos beijamos – no meio daquela aromaterapia de merda mesmo.
Como haviam poucas pessoas no recinto, começamos a acusar e eliminar os suspeitos. MELHOR. DATE. EVER!
No decorrer do dia, o incidente se repetiu várias vezes. Até que chegamos à conclusão de que era uma menina que falou que era vegana! No início do veganismo a pessoa tem muita flatulência por conta dos gases dos grãos – uma amiga me disse.
Mesmo sobre o cheiro de carniça, foi um dia bem legal e engraçado. No fim, na fila para pagar e ir embora, uma menina aleatória vira para nós dois e diz que ficará do nosso lado porque estão peidando na fila.
Enquanto ríamos junto com ela, que estava puta, ela me diz: “aff, vai no banheiro”. Apesar de achar um pouco direcionado para mim, ri e ainda acrescentei: “galera sem noção, né?” É só minha mania de perseguição, pensei.
De repente o Fernando me fala que ela disse que era eu quem estava peidando!!! E eu estava de guarda baixa, só consegui responder: “tá louca, não fui eu!” Uma atitude característica de culpado!!! Foi você sim: ela insistiu.
A minha vontade era de fazer um barraco, mas pensei que quando perguntassem o porquê da agressão na delegacia, responder “essa descontrolada me acusou de peidar” pareceria um pouco banal. 
Geralmente quem peida fica sempre muito ofendido e sempre diz: “eu não nego peido” EXATAMENTE O QUE FIZ! Já era tarde demais para fingir que aquilo não havia me afetado pessoalmente então decidi não falar mais sobre o assunto. O climão ficou mais denso do que o próprio peido.
Antes disso, Fernando e eu passamos num boteco para comer. Depois de voltar do banheiro, totalmente branco, ele me disse que viu um vulto.
Ué, Fernando, é super da umbanda mas não pode ver um vulto? Não entendi!
Enfim, acho que ele realmente achou que era eu quem estava peidando, mas eu dei um fora antes.
O bom de um date vespertino é que dá para dar a desculpa de que havia combinado algo com as amigas e havia esquecido de avisar. Foi o que fiz.
NÃO. PEIDEI!