Controle Y



Ezequiel, o da mamba negra

illustration gay

Eu estava no Grindr quando o perfil “caçando rola” me disse: ‘você é desprezível, vive online nesse aplicativo porque é o único lugar onde você consegue conhecer alguém’. Ok, foi: ‘nossa, você vive online aqui rs’. Enfim, a questão é que foi um sinal do universo. Está decidido: vou sair com alguém que conheci pessoalmente.

A primeira pessoa que me veio na cabeça foi o Ezequiel, que mora com uma amiga minha, a Malu. Ela fez todo o esquema e no dia seguinte eu já estava de date marcado com o ‘Zeq’, iríamos numa festa – que segundo ele era incrível – chamada ODDS.

Combinamos de nos encontrar no bar Estadão, na República – onde haviam algumas vans que levariam a galera para o local da festa, que era secreto!!! Ezequiel chegou vestido como uma versão frentista de posto de gasolina Shell do Pequeno Príncipe. Interessante.

Já dentro da van superinsulfimada, eu não via nada além do fantasma da ansiedade me dizendo repetidamente: ‘E SE VOCÊ ESTIVER NA RODOVIA CASTELO BRANCO?!?! NA RODOANEL? GUAIANASES?!?!!?’ Enquanto fingia tranquilidade, uma gay não parava de tocar músicas da Ellen Milgrau no celular. Foi assim durante 30 minutos, até chegarmos numa fábrica de tecelagem abandonada.

Ao entrar no local, eu só conseguia pensar na repercussão na mídia da notícia dos ‘jovens alternativos soterrados em fábrica abandonada na região do bairro Armenia, em São Paulo’, de tanto que a estrutura do lugar tremia. Resolvi colocar toda minha tensão e ansiedade de lado, e me joguei na pista.

Dancei e dancei, dancei mais um pouco, meditei, me conectei com meu eu, alinhei meus chakras, descarreguei tudo e tinha se passado só 17 minutos. Parecia que uma música estava no repeat infinito. Que pesadelo!!! O tempo não passava, ninguém conversava, eu já não tinha mais passos de dança e só eram 2 da manhã. Foi assim até às 9h, quando eu já estava destruído.

Voltando para casa na van, Ezequiel não parava de falar: era o próprio Padre Marcelo Rossi fazendo a Missa do Galo! Eu só respondia amém. Chegamos na casa dele/da minha amiga e ele ainda queria transar!!! Essa bicha tá usando rebite de caminhoneiro, pensei. Juntei todas as forças que restavam no meu corpo e basicamente falei: faça tudo, bb. No fim, foi bem bom. Me surpreendi – chupa, caçando rola, cacei a minha rola e deu certo!. Inclusive, combinamos dele me apresentar outra festa chamada Mamba Negra.

Na semana seguinte, fui até a casa da minha amiga para tentar ver o Ezequiel. Levei umas cervejas, bebi a noite inteira e nada dele aparecer. Já eram 5h da manhã quando minha amiga colocou um colchão no chão da sala. Arrastei para mais perto do corredor pensando: vai que, né? :>
Funcionou! Ele me acordou. PISOTEANDO MINHA CABEÇA! Ele e outra gay. Bens loucos, chegando da balada e transando um pouco alto no quarto dele. No meio daquela semana, minha amiga que contou que o Ezequiel tinha voltado com o ex… E A MAMBA NEGRA, EZEQUIEL?

Moral da história: trago a pessoa amada em três dias e não importa por onde e como você conhece alguém, no fim é tudo a mesma coisa: decepção!

P.S.: Se você vir algum perfil no Grindr chamado ‘caçando rola’, manda tomar no cu!

P.S.2.: O hostess da van tinha um look meio carta de baralho do Yu-Gi-Oh! – achei ele muito bonito! Me add!