O Gabinete das Amantes foram convocados para prestar esclarecimentos à CPMI das destruidoras de lares. Afinal, como é ser amante?

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amante não tem lar controle y

Quando eu fui amante

Estava doente, cheio de catarro e pus na garganta. Quando fui ao hospital, pensei que iria morrer, não que conheceria o Luiz.

Entendi como um recado do universo dizendo que ~devo estar sempre preparado~! Depois de trocarmos olhares quando ele chamava pacientes, demos match num aplicativo. Não é sempre que cruzamos com um médico que frequenta ocupações, bonito e engraçado, né?

Já no date, descobri que ele estava em São Paulo há menos de um ano e tinha quatro cachorros que pegou na rua. Expectativas pós-date foram criadas. Já o imaginei no Natal com minha família.

Três meses depois, apesar dos horários bizarros, nos víamos mais de uma vez por semana, conhecemos os amigos e porteiros um do outro – este último, para mim, o maior nível de intimidade.

Um dia, saindo do cinema, fomos para a praia(!!!). Ele realizou o meu sonho do bate-volta na praia repentino. Estávamos praticamente namorando quando fui plugar meu celular no carro e vi uma aliança com nome dele, de uma tal de Lilian.

Sim, é exatamente isso que você está pensando e um pouco mais. Ele era noivo e iria casar em quatro meses, caro leitor!!! Eu paralisei, e ele estava voltando pro carro.

Quem é Lilian? Perguntei – “minha noiva, vamos casar em quatro meses. Como você descobriu?”, ele respondeu.

Ele foi tão direto, que só não me chocou mais do que o fato dele ADMINISTRAR UMA NOIVA, QUATRO CACHORROS, UMA CARREIRA DE MÉDICO E EU! Essa gay usava drogas, não é possível!

– Não vou terminar com ela. É complicado, mas quero continuar contigo, ele propôs.
“Ah, o compromisso é dele. Foda-se”. Decidi continuar do jeito que estava. E admito que ativei um modo de competição, de querer conquistá-lo.

Duas semanas depois, ele me avisou que não poderia me ver, pois iria para a formatura dela.

Pensei em quantas vezes aquilo iria se repetir. Já me imaginei numa janela de motel vagabundo dizendo, “Tá, pode ir ao aniversário do seu filho do meio, já estou acostumado!”

No dia seguinte, ele veio à minha casa como se nada tivesse acontecido e eu tentei agir naturalmente.
– “Me sinto tão aliviado”, ele disse. – “Como assim”, perguntei.
– “Você saber sobre a Lilian me tirou um peso enorme das costas.”

Bateu, amiga! Tudo fez sentido. O pensamento “ele é quem tem o compromisso” é ridículo. Iríamos nos ver com base no COMPROMISSO dos dois. Eu estava no relacionamento…

– Deve ser porque você dividiu essa culpa comigo, Luiz. Pensei e em seguida terminei com ele por não estar mais a fim de participar daquilo.
Antes dele ir embora eu disse – “nem a conheci, mas a Lilian não merece isso. Ninguém merece”.

Isso sim é se sentir aliviado, Luiz! Ter a consciência de que há tanta r*la por aí, que não precisamos pegar as comprometidas ou enganar alguém.

Desculpe, caro leitor. Esta última frase poderia ter sido algo mais bonito e inspirador – mas esse tempo como amante me mudou…

Podcast

Amábile Reis (@amabilerreis), Vand Vieira (@vandvieira) e Y contam suas vivências como destruidoras de lares. E em depoimentos à CPMI tentam entender o porquê de ficamos com alguém comprometido.

O Psicólogo Alan (@alanclausen) fala de onde surge esse tesão em ser amante.

As melhores / piores histórias de amantes estão neste podcast. Corre aqui, Marília Mendonça!

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