Controle Y



A lenda do gay que gosta de hétero 

Qual o gay que nunca gostou de um hétero? Acontece, mana!

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Se a minha memória não me falha, o ano era 2005 e o nome dele era William Marcelo, o único jovem do bairro que não era emo. Will tinha aquele estilo surfista TENT BEACH/NICOBOCO, pulseirinhas do reggae e tudo! Além de to da essa autenticidade, ele era filho da mulher do Yakult do bairro, Cida. Sonhava transando com ele e tomando vários TONYU em seguida… Perfeito! A não ser por um pequeno imprevisto: não sabia se ele era gay.

A primeira vez que eu o vi foi numa lan house perto da minha casa, que eu ia pra queimar CD – que fique claro que isso não é uma gíria para drogas e eu não era camelô. Só comercializava coletâneas personalizadas feitas sob encomenda –  tipo isso:

Evanescence - My Immortal  Pearl Jam - Black  RadioHead - Fake Plastic Tree  Avril Lavigne - My Happy Ending  J-Lo - Get Right  Beyoncé - Baby Boy  Fergie - Fergielicious  We Belong Together - Mariah Carey  Usher Alicia Keys - My Boo  Ciara - 1, 2, Step  50 Cent - Candy Shop  Banda Eva - Pequena Eva

Adorava emo para dar close na roupa, música boa mesmo era POP!

Naquela época, eu já sabia que era gay, mas negava até a morte! Só ouvia Beyoncé e Nelly Furtado, mas falava que namorava uma vizinha da minha vó, Gabriella* – nem avó eu tinha… Respondia com a voz superafeminada quando diziam que eu era viado: “BOTAH SUA MÃE DE QUATRON NA MINHA FRENTCHY PAR VER SI SOU VIADO, CARALHON!” – sempre com um certo desespero se alguém resolvesse pôr. Já o William sempre foi uma incognita. Legal demais comparado aos outros héteros e misterioso ao ponto de nunca aparecer com ou falar de alguma menina. Tudo isso me intrigava (e excitava, claro).

Passei a frequentar mais a lan house, até que virei amigo dele. Jogava Counter Striker Ragnarök, mas eu estava ali para descobrir o que ele era. O que era apenas a título de curiosidade, acabou evoluindo e eu, como poc burra, me apaixonei. “Ai, ele me tocou de um jeito diferente”, “ele me olhou nos olhos e ficou em silêncio”, “ele gosta de Hollaback Girl da Gwen Steffani”, eu acreditava que tudo o que ele fazia, tinha alguma coisa por trás – bem iludida. Fiquei nessa durante sete meses, até que eu percebi que deveria fazer algo.

Eu jogava Habbo Hotel com uma personagem (HC, amore!) fake, a Lady Wiolet. Para sustentar essa mentira, eu tinha uma fake dela no MSN e no Orkut, com fotos que roubei de um fotolog. Adicionei o William no Orkut e comecei a dar em cima dele fortemente para descobrir se ele gostava de mulheres. Acho que exagerei um pouco ao dar em cima fortemente, ao ponto dele não só ligar a webcam da lan house e mostrar o PAU para ELA/EU (NA. LAN. HOUSE!), como apaixonar-se e ficar mandando músicas do Jack Johnson para ela… SEU CAFONA GOSTOSO!

Prometi para mim mesmo que nunca mais gostaria de um hétero ou perderia meu tempo com ilusões. Tanto gay incrível e disponível no mundo, por que perder meu tempo gostando de hétero? Aposto que eu havia perdido vááárias pessoas por estar tão obsessivo e cego por ele (não, não tinha).

 

Ficou a lição: se ele disse que é hétero, das duas uma: ou é realmente hétero ou é gay e não te quer. PRA QUE gastar energia por essa pessoa? Ou a senhora é muito autosabotadora-que-tende-a-escolher-relacionamentos-já-fracassados-para-não-se-surpreender-porque-está-acostumada-com-o-controle-de-já-viver-num-estado-de-decepção-constante mesmo, viu viado, ou é TROUXA!

E outra: POR QUE VOCÊ ACHA QUE A RIHANNA MATA OS HÉTEROS TUDO EM SEUS CLIPES?

P.S.: pensando bem, o William Marcelo poderia ser bi, né?

*sim, Gabriella por causa do High School Musical, Sharpay seria muita mentira