Controle Y



Luiz e o flerte no hospital

Jamais achei que iria paquerar num hospital.

illustration Controle Y Gay Men

Quando fui ao hospital, estava cheio de catarro e pus na garganta. Pensei que iria morrer, não que conheceria o Luiz. Até porque só vou ao médico quando sinto a morte se aproximar e não pra paquerar.

É o universo dizendo que devo estar sempre ‘preparado’, talvez? Depois de trocarmos olhares quando ele chamava pacientes, demos match num aplicativo. Não é sempre que cruzamos com um médico que frequenta ocupações, bonito e engraçado, né?

Já no date, descobri que ele estava em São Paulo há menos de um ano e tinha quatro cachorros que pegou na rua. Expectativas pós-date foram criadas. Já o imaginei no Natal com minha família.

Três meses depois, apesar dos horários bizarros, nos víamos mais de uma vez por semana, conhecemos os amigos e porteiros um do outro – este último, para mim, o maior nível de intimidade.

Um dia, saindo do cinema, fomos para a praia(!!!). Ele realizou o meu sonho do bate-volta na praia repentino. Estávamos praticamente namorando quando fui plugar meu celular no carro e vi uma aliança com nome dele, de uma tal de Lilian e 04/09/2017 gravado.

Sim, é exatamente isso que você está pensando e um pouco mais. Ele era noivo e iria casar em quatro meses, caro leitor!!! Eu paralisei, e ele estava voltando pro carro.

CONTINUA…

Instagram: @controle_y


A Assombração da Chácara

Uma noite chuvosa, uma chácara no meio do nada e uma assombração.

Horror Illustration Controle Y

Era feriado e eu estava com meu ex e uns amigos numa chácara. Começou a chover muito forte e decidimos ir embora na manhã seguinte.

Curtimos a ressaca do dia anterior assistindo o filme Sobrenatural. No decorrer do filme, todos meus amigos foram dormir, restando só meu ex namorado e eu na sala.

Do nada, ele me diz para mudar de canal porque estava sentindo algo ruim. Estranhei! Não só por ele ser sensitivo e dizer aquilo, mas porque eu também senti algo bizarro. Preferi não entrar na nóia se não o próximo passo seria: EU TAMBÉM SENTI, TOCA PRO CASTELINHO DA PAMONHA AGORA!

É só um filme e já está quase acabando – eu disse, numa tentativa de tranquilizar ele e A MIM MESMO, visto que dormiríamos na sala.

Ao terminar, ele vira para o lado e apaga, me deixando acordado completamente sozinho. Quer dizer, quase sozinho…

Estava de olhos fechados, quase dormindo, quando veio na minha mente a imagem nítida de uma senhora de vestido vermelho sentada na poltrona atrás de nós, olhando fixamente para mim. Conforme eu tentava ignorar, ficava mais claro que aquilo não era normal e que alguém realmente estava ali.

FINGI ESTAR EM SONO PROFUNDO para confundir a assombração! Nem engolia saliva e cantava mentalmente hinos de louvor, esperando ela se tocar.

Eis que a TV antiga da sala liga no volume máximo, do nada, numa missa. Embora eu quase tenha morrido de susto, segui firme no meu plano. Tipo “amada, o que você vai ganhar com isso?”

Até hoje, todos meus amigos acham que foi uma pegadinha minha e do meu ex, só porque eles chegaram viram que eu estava claramente fingindo estar dormindo. Será que a assombração também não acreditou?

PodCast

Essa e outras histórias de terror estão no Podcast do Controle Y desta semana.


Por que não cacarejar?

“Por que associamos o ovo à galinha e não ao pato? Porque ao botar um ovo, a galinha começa a cacarejar.”

ilustração Controle Y Gay Galinha Cacarejar
O episódio do podcast de hoje é para você que já se sentiu como um pato que está todo rasgado de tanto botar ovos e – que por ter vergonha ou não saber como cacarejar – nunca é enaltecido!
Por que para algumas pessoas o cacarejo é tão fácil? Tem galinhas que cacarejam sem mesmo ter colocado ovo algum!
Num mundo onde você se colocar para baixo é mais normalizado do que contar coisas boas que você fez, é preciso cacarejar!
Os patos que lutem! 🐓🥚🦆