Daniel, o fotógrafo 

Controle Y Ilustração

Meu organismo é formado por células humildonas. Ar condicionado me deixa doente, amo hot dog de rua, adoro o banco alto do ônibus e nunca passei mal com Catuaba – inclusive prefiro uma boa catu a um vinho do porto – deveras nunca tinha tido acesso ao vinho do porto até o Daniel me apresentar.

A Yatch Club tem uma seleção tipo Tinder: é possível dar um match (me recuso a falar correspondência) com alguém com grana, mas nem sempre funciona assim. É aquele ditado: você pode colocar um raio de 5km no Alto da Lapa e acabar pegando Osasco, nénom? Não que eu me importe – desde que esta distância seja percorrida de carro. #brinks

Assim que avistei o Daniel, já deu para perceber que ele era (bem!) rico. Daqueles que não sabem como é a felicidade de cair o VR. Quase nem acreditei quando ele chegou em mim. Estávamos nos beijando quando ele parou o fotógrafo e pediu uma foto nossa. Achei estranho, mas ao repetir o pedido pela terceira vez, já havia me acostumado.

No nosso primeiro date, ele me chamou para ir no Sujinho. Foi legal, comida e bebida boa, etc. Enfim, não conhecia e me surpreendi. PRINCIPALMENTE na hora de pagar a conta, já que lá não aceita CARTÃO! OI? Não costumo andar com dinheiro e me fodi. Então, o Daniel riu, pagou a conta e me disse: “por isso não gosto de andar descapitalizado”. “QUE, DANIEL? Eu sei que seu banco é Citi Bank, mas eu tenho que 7 reais para pagar as taxas de transferência!”

Mesmo descapitalizado, fui para o apartamento dele. Chegando lá, bebemos vinho do porto e adorei. Primeira garrafa, segunda, antes de abrirmos a terceira, transamos. Na manhã seguinte, tive a certeza de que, se eu tivesse dormido mais dois minutos, teria me cagado inteiro nas calças COM CERTEZA! Dei um ~pulinho~ no banheiro, caguei horrores e PRETO. Parecia uma hemorragia. Além de não parar, o banheiro era ao lado da cama e eu só queria morrer! Assim que saí do banheiro, ele perguntou se estava tudo bem. “Ai, vomitei horrores, rs”,  eu disse e completei com um “vamos tomar café numa padaria, rápido”, enquanto bloqueava a entrada no banheiro.

Dois dias após o ocorrido, ele foi para minha casa e havíamos acabado de transar quando, do nada, ele sacou uma instax e tirou uma foto nossa. OI? Como não vi isso? Poderia ser um revólver, sabe? * O mais bizarro nem foi receber a notificação de marcação de foto no Insta nem ver que havia três (!) fotos minhas no insta dele com legendas de coração. Foi perceber que uma das fotos era eu dormindo PELADO com um lençol que cobria apenas uma parte da minha bunda, com luz, filtro, conceitual e tudo!!! Parabéns pela foto, mas PORRA!** Ou ele era louco ou havia acabado de terminar um namoro e tinha a necessidade de postar essas fotos. Todos somos DANIEL…

P.S.: Daniel sempre pegava meu celular e tirava nudes sem eu ver, alguma dica que ele leu na Cosmopolitan provavelmente. Não funcionava, Daniel.

* estou errado em achar que é muito desespero levar uma instax para a casa de alguém que tu conhece a uma semana?

**bem que dizem que cu de bêbado não tem dono


me segue no snap: @controley


Dan, o massagista

massagem

Depois de conversarmos uns 20 minutos no Hornet, vermos que estamos a apenas 600 metros de distância, abrirmos os cadeadinhos, finalmente o Dan me disse que era ativo.
“Puts, também sou ativo”, respondi. Ele logo retrucou “tá, tá, eu te dou, vem aqui em casa” – Assim, como se eu estivesse insistindo.

Assim que cheguei lá (prédio que já fui em tantos encontros que posso fazer a planta baixa), ele me ligou dizendo para eu esperar na frente porque ele teve que passar em um lugar. Lá estava eu, esperando na frente de seu prédio, sendo julgado pelo Severino, o porteiro, quando encontro o Sergio – outro carinha que peguei e morava lá – que logo perguntou o que eu estava fazendo alí.

“Vim na casa de uma amiga da faculdade, hihi”, disse. “Você quer colar lá em casa, depois que terminar lá?”, ele retrucou. Quando fui responder, me chega o Dan com uma sacolinha da Onofre, toda transparente, com lubrificantes, camisinhas e o Hornet aberto…
Sergio olha e entende tudo, Dan me analisa se pareço como na foto, Severino assiste tudo de camarote e eu só querendo morrer!

Todo aquele climão subiu até o quarto andar, onde Dan e eu descemos. Chegando em seu apê, senti um puta cheiro de incenso (odeio). Dan me abraça, aperta forte (até demais) e logo começa a me beijar.

Em seguida, ele fala que me sentiu tenso e me oferece uma massagem. Tirando toda a conotação sexual do convite, de fato aceitei a massagem como recompensa por passar tanta humilhação recentemente. Dan pede para eu tirar a camiseta e me deitar. Feito isso, Dan já veio com aquelas mãos enormes me apertando. Foi a melhor sensação da minha vida! Ele apertava uns pontos que causavam uma mistura de dor com sono. De repente ele me tira as calças e começa a passar o óleo dentro da minha bunda e logo se justifica que ali há um chackra bem importante. MEU CU TÁ AÍ, DAN, MEU CU – pensei!

E então ele começa a fazendo movimentos circulares um dedo acima do meu cu. Dividia minha bunda e massageava com as pontas dos dedos. Apesar de incômodo, de fato, era relaxante. Estava quase dormindo quando senti um pula pirata (que segundo ele foi sem querer e que entrou “muito fácil” por causa do óleo). QUE. DOR. E. QUE. HUMILHAÇÃO! Como assim “entrou fácil?” Assim como as mãos, os dedos do Dan também eram grandes. Me arrombou alí e eu não tinha forças para reagir. Só consegui balbuciar: tira, por favor, pois ele CONTINUAVA LÁ DENTRO!

Aquela altura, eu já estava humilhado – Dez kilos mais leve – mas ainda sim, humilhado. Eu só queria transar, sabe? E meu chakra da dignidade foi violado.

Eu sabia que aquilo era um truque para que eu fosse passivo, mas não funcionou. Comi o Dan. O sexo foi muito bom, mas esperava mais tântricidade por parte dele, que por sua vez, gozou muito rápido. Tem certeza que você é ativo, Dan?

No final, acabei dormindo lá até trocamos as cuecas. A do Dan era novinha!*


 

*Vantagens de ser gay :)