Controle Y



Alexandre, o boy lixo

Alexandre é tão, mais tão lixo que nem merece uma ilustração – por isso fiz a Beyoncé.

Beyoncé Lemonade IllustrationEu odeio três coisas na vida

1. crianças usando tênis que viram patins andando pra lá e pra cá;

2. discutir sobre cantoras pop;

3. pessoas que no date ficam no celular o tempo todo.

Só faltou o Alexandre estar usando um tênis que vira patins, caro leitor.

Sabe aquele boy do Instagram que você é a fim mas acha ele “disputado” demais? E que a sua preguiça de entrar nessa disputa e parecer somente mais um nos milhares de seguidores dele – desesperados para marcar território nos comentários – é maior do que qualquer amor verdadeiro? Esse era o Alexandre.

Vez ou outra flertávamos por stories, mas nada além disso. Até que tudo mudou depois de um “faça uma pergunta para mim” dele, que eu, disposto a acabar com este impasse (e muito bêbado!) resolvi mandar: porque nunca transamos?

Após a resposta dele “não sei, bora mudar isso? ;)”, marcamos de sair.

Após chegar bem atrasado e não pedir desculpas, o Alexandre me mostrou morrendo de rir uma montagem que Madonna postou no Instagram da Beyoncé e Jay-Z no Louvre cheio de quadros da Madonna, com uma legenda tipo “aprendendo com a mestra”. Em seguida, ficou falando muito mal da Beyoncé enquanto enaltecia a Madonna à noite inteira.

Mesmo eu achando muito idiota comparar Madonna e Beyoncé, eu estava disposto a suportar aquilo por sexo. Achei que valeria a pena… Mal sabia eu.

Já na casa dele, Alexandre deixou claro que é era somente ativo. Á vontade, querido, pensei. Mas ele não deixava eu pegar no pau dele, nem chupar, nem nada. Entendi quando finalmente vi! O pau dele era beeem pequeno. Ok! O que importa é a performance, né? – pensei.

Tentamos umas três posições, mas só escapava. Entrou tanto ar no meu cu, que o próprio (cu) se irritou e decidiu acabar com aquilo. Fez o barulho igual o de uma bexiga soltando ar! Tipo CHEGA! TIRA ISSO DAQUI! TÁ INSUPORTÁVEL! O corpo fala, gente!

Depois de tudo, ainda ouvi que eu tinha uma bunda gorda. Embora eu quisesse dizer: “QUERIDO! É empinada e superelogiada, o seu pau que não consegue passar por ela!”, perguntei se foi bom pra ele.

“Acho tosco perguntar isso”, ele disse. “Não te interessa saber se gostei ou não? Um feedback!”, insisti.

“Ah, você gozou, né?” – ele retrucou.

No final de tudo, eu precisava dar um feedback, era o mínimo.

Virei para ele e disse três coisas:

1. Sabia que você pode ser muito fã da Madonna sem precisar falar mal da Beyoncé?

2. Pau pequeno não é sinônimo de sexo ruim e nem de ter que tratar a outra pessoa mal, o nome disso é insegurança. Acredito que você consiga satisfazer sim outra pessoa, é só se esforçar um pouco mais.

3. E por isso um feedback é necessário, Alexandre.

Ele me expulsou da casa dele, me bloqueou e nunca mais nos falamos.

TENHO UM BÔNUS PRA VOCÊ, ALEXANDRE:

4. GO BACK TO THE PAPELPOP WORLD WHERE YOU BELONG!

Ficou a lição: Você pode ter quantas exigências quiser e muitas vezes não vale a pena abrir mão delas por ninguém.


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Ezequiel, o da mamba negra

illustration gay

Eu estava no Grindr quando o perfil “caçando rola” me disse: ‘você é desprezível, vive online nesse aplicativo porque é o único lugar onde você consegue conhecer alguém’. Ok, foi: ‘nossa, você vive online aqui rs’. Enfim, a questão é que foi um sinal do universo. Está decidido: vou sair com alguém que conheci pessoalmente.

A primeira pessoa que me veio na cabeça foi o Ezequiel, que mora com uma amiga minha, a Malu. Ela fez todo o esquema e no dia seguinte eu já estava de date marcado com o ‘Zeq’, iríamos numa festa – que segundo ele era incrível – chamada ODDS.

Combinamos de nos encontrar no bar Estadão, na República – onde haviam algumas vans que levariam a galera para o local da festa, que era secreto!!! Ezequiel chegou vestido como uma versão frentista de posto de gasolina Shell do Pequeno Príncipe. Interessante.

Já dentro da van superinsulfimada, eu não via nada além do fantasma da ansiedade me dizendo repetidamente: ‘E SE VOCÊ ESTIVER NA RODOVIA CASTELO BRANCO?!?! NA RODOANEL? GUAIANASES?!?!!?’ Enquanto fingia tranquilidade, uma gay não parava de tocar músicas da Ellen Milgrau no celular. Foi assim durante 30 minutos, até chegarmos numa fábrica de tecelagem abandonada.

Ao entrar no local, eu só conseguia pensar na repercussão na mídia da notícia dos ‘jovens alternativos soterrados em fábrica abandonada na região do bairro Armenia, em São Paulo’, de tanto que a estrutura do lugar tremia. Resolvi colocar toda minha tensão e ansiedade de lado, e me joguei na pista.

Dancei e dancei, dancei mais um pouco, meditei, me conectei com meu eu, alinhei meus chakras, descarreguei tudo e tinha se passado só 17 minutos. Parecia que uma música estava no repeat infinito. Que pesadelo!!! O tempo não passava, ninguém conversava, eu já não tinha mais passos de dança e só eram 2 da manhã. Foi assim até às 9h, quando eu já estava destruído.

Voltando para casa na van, Ezequiel não parava de falar: era o próprio Padre Marcelo Rossi fazendo a Missa do Galo! Eu só respondia amém. Chegamos na casa dele/da minha amiga e ele ainda queria transar!!! Essa bicha tá usando rebite de caminhoneiro, pensei. Juntei todas as forças que restavam no meu corpo e basicamente falei: faça tudo, bb. No fim, foi bem bom. Me surpreendi – chupa, caçando rola, cacei a minha rola e deu certo!. Inclusive, combinamos dele me apresentar outra festa chamada Mamba Negra.

Na semana seguinte, fui até a casa da minha amiga para tentar ver o Ezequiel. Levei umas cervejas, bebi a noite inteira e nada dele aparecer. Já eram 5h da manhã quando minha amiga colocou um colchão no chão da sala. Arrastei para mais perto do corredor pensando: vai que, né? :>
Funcionou! Ele me acordou. PISOTEANDO MINHA CABEÇA! Ele e outra gay. Bens loucos, chegando da balada e transando um pouco alto no quarto dele. No meio daquela semana, minha amiga que contou que o Ezequiel tinha voltado com o ex… E A MAMBA NEGRA, EZEQUIEL?

Moral da história: trago a pessoa amada em três dias e não importa por onde e como você conhece alguém, no fim é tudo a mesma coisa: decepção!

P.S.: Se você vir algum perfil no Grindr chamado ‘caçando rola’, manda tomar no cu!

P.S.2.: O hostess da van tinha um look meio carta de baralho do Yu-Gi-Oh! – achei ele muito bonito! Me add!


A lenda do gay que gosta de hétero 

Qual o gay que nunca gostou de um hétero? Acontece, mana!

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Se a minha memória não me falha, o ano era 2005 e o nome dele era William Marcelo, o único jovem do bairro que não era emo. Will tinha aquele estilo surfista TENT BEACH/NICOBOCO, pulseirinhas do reggae e tudo! Além de to da essa autenticidade, ele era filho da mulher do Yakult do bairro, Cida. Sonhava transando com ele e tomando vários TONYU em seguida… Perfeito! A não ser por um pequeno imprevisto: não sabia se ele era gay.

A primeira vez que eu o vi foi numa lan house perto da minha casa, que eu ia pra queimar CD – que fique claro que isso não é uma gíria para drogas e eu não era camelô. Só comercializava coletâneas personalizadas feitas sob encomenda –  tipo isso:

Evanescence - My Immortal  Pearl Jam - Black  RadioHead - Fake Plastic Tree  Avril Lavigne - My Happy Ending  J-Lo - Get Right  Beyoncé - Baby Boy  Fergie - Fergielicious  We Belong Together - Mariah Carey  Usher Alicia Keys - My Boo  Ciara - 1, 2, Step  50 Cent - Candy Shop  Banda Eva - Pequena Eva

Adorava emo para dar close na roupa, música boa mesmo era POP!

Naquela época, eu já sabia que era gay, mas negava até a morte! Só ouvia Beyoncé e Nelly Furtado, mas falava que namorava uma vizinha da minha vó, Gabriella* – nem avó eu tinha… Respondia com a voz superafeminada quando diziam que eu era viado: “BOTAH SUA MÃE DE QUATRON NA MINHA FRENTCHY PAR VER SI SOU VIADO, CARALHON!” – sempre com um certo desespero se alguém resolvesse pôr. Já o William sempre foi uma incognita. Legal demais comparado aos outros héteros e misterioso ao ponto de nunca aparecer com ou falar de alguma menina. Tudo isso me intrigava (e excitava, claro).

Passei a frequentar mais a lan house, até que virei amigo dele. Jogava Counter Striker Ragnarök, mas eu estava ali para descobrir o que ele era. O que era apenas a título de curiosidade, acabou evoluindo e eu, como poc burra, me apaixonei. “Ai, ele me tocou de um jeito diferente”, “ele me olhou nos olhos e ficou em silêncio”, “ele gosta de Hollaback Girl da Gwen Steffani”, eu acreditava que tudo o que ele fazia, tinha alguma coisa por trás – bem iludida. Fiquei nessa durante sete meses, até que eu percebi que deveria fazer algo.

Eu jogava Habbo Hotel com uma personagem (HC, amore!) fake, a Lady Wiolet. Para sustentar essa mentira, eu tinha uma fake dela no MSN e no Orkut, com fotos que roubei de um fotolog. Adicionei o William no Orkut e comecei a dar em cima dele fortemente para descobrir se ele gostava de mulheres. Acho que exagerei um pouco ao dar em cima fortemente, ao ponto dele não só ligar a webcam da lan house e mostrar o PAU para ELA/EU (NA. LAN. HOUSE!), como apaixonar-se e ficar mandando músicas do Jack Johnson para ela… SEU CAFONA GOSTOSO!

Prometi para mim mesmo que nunca mais gostaria de um hétero ou perderia meu tempo com ilusões. Tanto gay incrível e disponível no mundo, por que perder meu tempo gostando de hétero? Aposto que eu havia perdido vááárias pessoas por estar tão obsessivo e cego por ele (não, não tinha).

 

Ficou a lição: se ele disse que é hétero, das duas uma: ou é realmente hétero ou é gay e não te quer. PRA QUE gastar energia por essa pessoa? Ou a senhora é muito autosabotadora-que-tende-a-escolher-relacionamentos-já-fracassados-para-não-se-surpreender-porque-está-acostumada-com-o-controle-de-já-viver-num-estado-de-decepção-constante mesmo, viu viado, ou é TROUXA!

E outra: POR QUE VOCÊ ACHA QUE A RIHANNA MATA OS HÉTEROS TUDO EM SEUS CLIPES?

P.S.: pensando bem, o William Marcelo poderia ser bi, né?

*sim, Gabriella por causa do High School Musical, Sharpay seria muita mentira