Controle Y



Você queria namorar?

Depois que levamos uns 54 “precisamos conversar” na vida, criamos uma certa resistência. Cheguei num nível que prefiro que tudo se resolva pelo inbox do Instagram mesmo. Nem fodendo que farei baldeação para levar um pé na bunda. Uma questão de otimização de tempo.

Quando o Renam falou: “precisamos conversar, não quero nada sério”, fiquei de boa e aceitei – como de costume – o pé na bunda. Estava indo seguir minha vida, dar unfollow no Twitter, parar de seguir atualizações, enfim, todo o ritual até que percebi que quase deixei passar – EU NUNCA QUIS NAMORAR ELE TAMBÉM!

– Só deixando claro, eu também não estava pensando em ter nada sério com você, Renam. Foi mal se dei a entender outra coisa – respondi.

– “Ah, então podemos continuar nos vendo”, ele respondeu.

Antes de colocar o desfecho desta história, gostaria de dizer duas coisas, caro leitor:

  1. Renam sempre tentou sair por cima de mim. Vivia falando que pegava outras pessoas e ressaltava defeitos meus. Tudo isso em dois meses. Tolerava tudo isso porque, sinceramente não me afetava e porque ele transava bem.
  2. Toda essa “acomodação a pé na bunda” não deve nos impedir de dizer o que realmente pensamos e sentimos. Reveja isso para não acumular humilhações a toa!

Quer terminar comigo por qualquer outro motivo? Aceito. Agora terminar porque você DEDUZIU que estou te amando? NÃO, bb! Se isso foi um pé na bunda, também estou te dando. Em outra época eu ignoraria e seguiria com minha vida, mas essas eleições fizeram eu ver que não sou obrigado! Era para ninguém soltar a rola mão de ninguém, Renam e você aí sambando no meu ego.

– “Continua colocando 20 hashtags nas suas fotos no Instagram e seja feliz, Renam. Flw, Abraço” – Respondi. Ok, sou ressentido e para parecer mais frio ainda recorro ao vocabulário ht. 

 

Vale ressaltar: Imagine que namorar é ter um carro. Tem IPVA, seguro, estacionamento, revisão, vallets da vida, etc. Exige toda uma atenção e cuidado. Pode ser que um dia eu ande de Renaut Logan no Uber e queira comprar o Renault Logan. Não é o seu caso, Renam. Não é porque te dei cinco estrelas que não quero usar meus vouchers da Cabify e do 99!

OBS.: O segredo é ser tipo Moonrise Kingdom, sabe? Se apaixone, viva algumas aventuras e pronto! Ou você acha que a menininha iria ficar com ele pro resto da vida?

OBS2.: Ter um pau amigo está mais difícil do que namorar, gente. Eu não sei o que acontece, as pessoas não estão mais querendo transar!!!

Não esqueça do que vc quer e não deite para ninguém.


Quer compartilhar uma história? contatodocontroley@gmail.com

Aqui é tipo Linha Direta: sua identidade será mantida no mais absoluto sigilo. Ah, e você ainda ganha uma ilustração.


Bruno, o gay eleitor do Bolsonaro

Conheci o Bruno no aniversário de uma amiga, um dos colegas de trabalho dela. Imediatamente me identifiquei com ele, o mesmo tipo de humor, mesmo gosto musical, até que minha amiga chega e diz: “sabia que vocês iriam se dar bem, pena que ele vota no Bolsonaro, Y!” Meu. Mundo. Caiu. Um gay que vota no Bolsonaro?

Mentira, né? – perguntei, mas ele confirmou que era verdade. Para tentar descontrair o climão que ficou, falei: “como diria a Samira Close: bicha, a senhora tem carro mas eles quebram o carro e te enchem de porrada”.  Ele não gostou, fechou a cara e disse que estava votando contra o PT.

Se fosse em outro momento, eu ignoraria, mas algo dentro de mim foi falando mais e mais alto, até que disse:

Sabe Bruno, dia desses eu vi um casal de pais revezar o colo para segurar uma criança enquanto o outro fumava um cachimbo de crack. O que vai ser do futuro dessa criança? Quais são as reais chances dela? Como ela vai para a escola? A única chance dela é ir para um abrigo e torcer muito para ser adotada, caso contrário ela acabará na rua e aí ja sabemos.

E você sabe qual é a solução do Bolsonaro para essa criança, né? Matá-la. Simples assim.

Agora quero que você me responda: você aceitaria um governo em que essa criança morra, mas que você fique mais rico? Se aceitar, tudo bem, não vou julgar, você tá votando no candidato perfeito para você.

Ele ficou quieto, mas deixou claro a resposta dele…

Minha vontade era falar: “VIADO, tão falando que o Bolsonaro vai MATAR VIADO! Entendeu, viado?!? Porque você vai votar nele?”, mas como meu pai me ensinou que é rude perguntar pra alguém porque ela é burra, preferi finalizar o assunto ali. Ele não falou comigo o resto da noite, mas espero ter plantado uma semente de reflexão nele.

Três tipos de gay eleitores do Bolsonaro: 

  1. Homossexuais como o Bruno: que buscam seguir um modelo gay que seja “mais aceito” pela sociedade. Daqueles que acham elogio ~não parecer gay~, sabe? Resultado do preconceito que essa pessoa recebeu a vida inteira. É foda julgar.
  2. Burros: que acham que pode ser extrema-direita conservadora radical e esquecem que muita bicha morreu para eles poderem dar close em balada gay e se maquiar no Instagram.
  3. Enrustidos: Né?

Bruno, não esqueça que não somos mais tão minoria assim – somos a maior parada gay do mundo – tem gay pra cacete no Brasil. Nós lutaremos por você!

P.S.: Com os eleitores do Coiso, eu nem discuto mais toda a questão de homofobia do candidato (mesmo sobre homens estarem gritando em locais públicos que ‘o Bolsonaro vai matar viado’). Afinal, isso é uma das coisas que o tornou famoso, propagar o ódio e o preconceito – você acha que é justamente o que vai fazer ele perder votos?

Não é a primeira vez que enfrentamos preconceito, caro leitor. Sim, assusta ver tanta gente tão próxima revelar ter essa mesma ~opnião~, mas o bem vence o mal e nós estamos do lado certo.

#elenão

 

Só para constar: CIRO, 12, CONFIRMA!

*** UPDATE: PT, nunca te critiquei!


Yoann, o gringo

Esta é minha primeira vez com um gringo.

Antes, meu sonho era pegar um gringo, eu uma verdadeira poc-caça-passaporte. Isso mudou depois que conheci o Yoann.

Não me levem a mal, gringos, mas me apaixono por vocês lá fora, aqui no solo tupiniquim, prefiro brasileiros.

Yoann era um francês lindo e charmoso que conheci no Hornet, houve aquele momento constrangedor em que ambos destravamos os cadeados e somente eu tinha nudes. Quem tem selfies no cadeado? Enfim, mesmo eu não sabendo como ele era pelado, nos encontramos no Igrejinha, um bar perto da minha casa e do hostel que ele estava.

Eu não sabia francês e o nosso inglês era bem ruim, mas foi bem divertido. Ele me mostrou uns memes brasileiros e eu expliquei a origem de cada um – “Santrelly is a dream destroyer. Her Dream is to destroy yours!” Quatro jarras de sangria depois – eu destruído e ele intacto – o bar estava para fechar e decidimos ir para minha casa.*

*Um detalhe importante, não rolou nenhum beijo, mas relevei porque gringo não é de beijar mesmo.

Fomos caminhando para minha casa, quando uma garota de programa fala para a gente em inglês: “do you guys wanna have some fun? 100 reais both of you!” Enquanto traduzia e montava a resposta na minha cabeça, senti foi um cheiro de sovaco abominável (não existe outra palavra para descrever aquilo). “Ela deve estar cobrando barato porque está com afofi”, pensei. Minutos depois, já no elevador do meu prédio, descobri que não era a profissional do sexo, era o Yoann!

Tenho ânsia de vômito muito fácil, por isso, toda lembrança nojenta que eu tiver, será seguida por um “Bhur”, caro leitor!

MEU. DEUS! Que cheiro horrível!!! Nunca senti algo parecido com aquela catinga. Carniça perdia para aquele fedor. Como eu sou uma pessoa preparada para situações adversas da vida, o que eu pensei? CHUVEIRO! Enquanto arquitetava o meu plano (montando a frase na minha cabeça), a bicha veio me beijar e percebi que o bafo era bem pior que o cheiro de suvaco “Bhur”. Um cheiro de… “Bhur” Dente do siso inflamado! “Bhurrr” A BICHA TINHA MASCADO UM BABALOO COCÔ! “Bhurrrrrrrrrrrrrrrr”

Sabe quando a garganta já dá aquele “estalo” tipo “destravei o caminho, mais alguma palhaçada e cê vomita, caralho”? Eu estava aflito!

“Eu não posso mandar ele embora, ele é muito lindo e legal“, era o que eu focava enquanto pegava um halls preto e passava da minha boca para a dele. Apesar da pegada ser boa, o odor ainda incomodava. Na terceira vez que insisti para irmos para o chuveiro, ele disse que não gostava. Percebi, Yoann, percebi…

Naquela altura, e já até havia me acostumado com o cheiro, mas quando ele tirou a cueca, simplesmente não dava.“Bhurrr” Era um cheiro de cu suado com xixi que puxei ele pro chuveiro imediatamente. O que meu inglês me permitiu entender era que ele só podia tomar banho com sabonete vegetal, porque ele era alérgico. Falei: Ok. I got it! Tradução: QUERIDO, minha mãe me deu um kit de sabonetes 100% vegetais há uns sete anos, tem semente e tudo, você VAI LAVAR ESSE CU E ESSE PINTO! Peguei um de maracujá.

Enquanto ele me beijava, eu só me concentrava em ensaboar toda a parte de baixo dele. Esfreguei inteiro. Missão cumprida! Até que ele pegou o sabonete e começou a me esfregar também. Quando ele pega o sabonete e começa a passar no meu cu, tentando lubrificar. As sementes estavam me esfolando, e quando eu fui tirar era tarde demais… Senti uma semente de maracujá entrar dentro de mim.

Falei: oh my god! Tradução = O QUE VOCÊ FEZ, YOANN? TÁ LOUCO? VOCÊ FAZ ESPUMA NA MÃO E LAVA A BUNDA, NÃO PASSA O SABONETE ESFOLIANTE DIRETO NO CU!

 

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Resumindo: não da para usar camisinha no chuveiro, então saímos e transamos na cama mesmo.

Ficou a lição: dando um jeito, sempre da certo, o importante é ambos se sentirem confortá… “Bhurrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr”

P.S.: Como não senti aquele cheiro antes? Acho que as velas da decoração do igrejinha não deixaram eu sentir o cheiro.

P.S.2: Digamos esse ~defeito~ do Yoann, era tipo um custo de IOF! Todo gringo tem.